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    Adicionais no cardápio: o que vira produto separado

    A pergunta certa não é quantas opções o item tem: é se o cliente pode deixar a escolha em branco. O que soma vira adicional; o que substitui o preço vira outro produto.

    06 de outubro de 20266 min
    Capa gráfica: um bloco central de cardápio se abre em dois caminhos — à esquerda, blocos verdes com sinais de mais, que somam ao preço; à direita, blocos escuros separados, cada um com a sua etiqueta de preço

    Sua pizza tem quatro tamanhos, três bordas e a opção meia a meia. No campo de cadastro cabe um nome e um preço. E agora?

    Resposta rápida: a pergunta certa não é quantas opções o item tem. É se o cliente pode deixar aquela escolha em branco. O que ele pode pular e acumular vira um dos adicionais no cardápio, porque soma ao preço. O que ele é obrigado a escolher, e escolhe uma só, vira outro produto — com o preço dele.

    Árvore de decisão: a escolha que soma ao preço vira adicional, como bacon extra por mais R$ 5,00; a escolha que substitui o preço vira produto separado, como Pizza grande por R$ 54,00

    A regra em uma linha: soma ou substitui

    Todo item difícil cai em um dos dois lados. De um lado ficam os adicionais no cardápio; do outro, os produtos.

    O adicional é um extra. Ele é opcional, pode entrar mais de um na mesma unidade, e cada um soma ao preço. Bacon por mais R$ 5,00. Cheddar por mais R$ 8,00. Os dois juntos, mais R$ 13,00. O cliente também pode não pedir nenhum, e o item continua válido.

    O tamanho, a borda e a proteína da marmita não funcionam assim. Eles não somam a um preço base: eles são o preço. Uma pizza grande não é uma pizza pequena com um acréscimo — é outro produto, com outra massa, outro tempo de forno e outra margem.

    Essa fronteira não é invenção nossa. A documentação da Flipdish, uma plataforma de pedidos para restaurantes, tem um campo só para marcar essa diferença: o campo que marca a opção como item independente fica verdadeiro quando a opção "poderia ser considerada um item independente", em contraste com uma adição ("com ketchup") ou um modificador ("grande"). E quando ele é verdadeiro, o preço do item passa a sair da opção escolhida — o preço cadastrado no item é ignorado.

    Ou seja: a indústria inteira separa o que soma do que substitui. A diferença é que, em muitos cadastros, você precisa fazer essa separação na mão.

    Por que tamanho não pode ser adicional

    Aqui está o detalhe que decide o assunto, e ele é do cadastro do DelZap: a lista de adicionais é plana e opcional. Não existe grupo obrigatório, não existe mínimo e não existe máximo. A migração que criou a tabela diz isso em uma frase — "sem grupos obrigatórios/min-max por enquanto".

    Leia o que isso significa na prática. Se você cadastrar os tamanhos como adicionais no cardápio, três coisas ficam possíveis ao mesmo tempo:

    • o cliente marca Pequena e Grande na mesma pizza;
    • o cliente não marca nenhum tamanho e envia o pedido assim;
    • o total soma os acréscimos em vez de trocar o preço.

    Nenhuma das três é um erro do cliente. São as regras do campo que você escolheu usar.

    Comparativo do mesmo item: à esquerda, tamanho cadastrado como adicional deixa o cliente marcar as três opções e o total sobe para R$ 62,00; à direita, três produtos separados com preços de R$ 38,00, R$ 46,00 e R$ 54,00 e uma escolha só

    A conta da esquerda não é hipótese. Base de R$ 38,00, mais R$ 8,00 da média, mais R$ 16,00 da grande: R$ 62,00 por uma pizza que você vende a R$ 54,00. O cliente vai reclamar, e ele tem razão.

    Tem um lado legal nisso também. O artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor exige que a oferta assegure informação "correta, clara, precisa, ostensiva" sobre características, quantidade, composição e preço. Um cardápio em que o preço do tamanho depende de quantas caixinhas o cliente marcou não é informação precisa.

    O que o cadastro tem, de verdade

    Vale saber com o que você está trabalhando antes de desenhar o item.

    Cada produto é uma linha com um nome e um preço. Não existe dimensão de variação dentro do produto: se o tamanho muda o preço, são linhas diferentes. Além do nome e do preço, o produto tem um campo de descrição, um de ingredientes e uma lista de apelidos — e cada campo é lido por um leitor diferente, assunto que o artigo sobre a descrição do cardápio destrincha.

    Os adicionais no cardápio moram em outra tabela. São uma lista única da loja, reaproveitável: você cadastra "Bacon" uma vez e vincula ao X-Tudo, ao X-Egg e à batata. Cada vínculo é um registro. Desligar um adicional na lista o apaga de todos os itens de uma vez.

    Quando um adicional entra, duas coisas acontecem juntas: o preço da unidade sobe e o nome do adicional é escrito na observação do item. É essa observação que sai impressa na comanda — a cozinha não lê o seu cadastro, lê o papel.

    A borda é o caso de fronteira

    A borda é o exemplo que quebra a regra pela metade, e vale olhar de perto.

    Ela parece um adicional: é opcional e soma ao preço. Uma loja real cadastrou exatamente assim, com três opções — borda de catupiry a R$ 8,00, de cheddar a R$ 8,00 e de requeijão a R$ 10,00. Funciona.

    Mas ela também é exclusiva: ninguém quer duas bordas na mesma pizza. E, como não existe máximo, nada impede que as duas entrem. Esse é o preço de modelar uma escolha exclusiva como um dos adicionais no cardápio — você aceita o risco em troca de não multiplicar o cardápio por três.

    Tem um segundo efeito, e esse é mais comum. Na conversa, a IA escolhe o adicional pela palavra do cliente, e vale uma regra dura: palavra que aponta para dois adicionais não escolhe nenhum. "Quero borda" não entra em nada, porque "borda" está nos três nomes. "A borda de catupiry" entra.

    Por que a palavra genérica não escolhe: a mensagem "quero borda" aponta para as três bordas cadastradas ao mesmo tempo e nenhuma entra no pedido; "a borda de catupiry" aponta para uma só e entra na comanda

    A mesma coisa acontece com "extra". Numa loja com "Bacon extra", "Cheddar extra" e "Queijo extra", a frase "põe extra no X-Tudo" não escolhe nada. Cobrar os três seria inventar o pedido do cliente.

    A consequência para o seu cadastro é direta: cada adicional precisa ter no nome uma palavra que só ele tem. "Catupiry" serve. "Borda" não.

    O erro que a gente mediu

    Em 25 de agosto o Thiago mandou um caso do WhatsApp real. Com o Combo 1 no carrinho, "gostaria de adicionar cheddar e bacon na batata" não adicionava nada.

    Não aceitar era o menos grave. Na frase "quero uma batata frita média com cheddar e bacon", o pedaço depois do "e" era lido como um produto: entrava um Hambúrguer de Bacon de R$ 22,00 no carrinho. O cliente pediu um acréscimo e levou um lanche.

    E havia um terceiro: com a batata dentro do combo, "coloca cheddar na batata" respondia "você ainda não tem Batata frita média no pedido" e oferecia vender outra. O item estava no pedido — faltava olhar dentro da linha do combo.

    Os três viraram regra testada. Hoje cada palavra aponta no máximo um adicional, a busca entra dentro do combo, e citar dois itens do combo na mesma frase não escolhe nenhum — porque chutar sairia mais caro que perguntar.

    Tabela de como modelar três itens difíceis: pizza com tamanho e borda vira um produto por tamanho mais a borda como adicional; marmita com três proteínas vira um produto por proteína; lanche com queijo e bacon fica num produto só, com adicionais que somam

    Um detalhe que ajuda aqui: nos adicionais no cardápio, o erro de digitação do seu próprio cadastro é tolerado. Aquela loja tinha "Cheedar" escrito assim. O cliente escreve "cheddar" e o adicional certo entra. Corrigir ainda é melhor, mas o pedido não se perde por causa de uma letra.

    Quantas opções o cliente aguenta

    Quebrar o item em produtos resolve o preço. Não resolve o cardápio inchado.

    Pizza com 4 tamanhos, 10 sabores e meia a meia dá 40 linhas antes da primeira borda. É aí que vale lembrar o estudo mais conhecido sobre isso: Sheena Iyengar e Mark Lepper montaram uma banca de degustação num mercado, ora com 6 sabores de geleia, ora com 24. A banca de 24 atraiu mais gente. Mas, entre quem parou, 30% compraram na banca de 6 e só 3% na de 24 (Journal of Personality and Social Psychology, 2000).

    O Sebrae chega no mesmo lugar por outro caminho: o cardápio é ferramenta de venda, e cardápio enxuto é entender o que realmente vende em vez de listar tudo.

    Então use a estrutura para separar preço, e use a categoria para organizar a vitrine. Quatro tamanhos do mesmo sabor na mesma categoria lado a lado o cliente lê. Quarenta linhas misturadas, não.

    Perguntas que aparecem sempre

    Meia a meia é adicional ou produto?

    Produto. Meia a meia tem preço próprio — quase sempre o do sabor mais caro — e é uma escolha obrigatória de quem pede. Cadastre as combinações que você vende de verdade, não todas as possíveis.

    Posso cobrar um tamanho como adicional de R$ 0,00 só para aparecer na tela?

    Não compensa. Ele não vira obrigatório, e o cliente consegue mandar o pedido sem tamanho nenhum — sobra uma pergunta na conversa que o cadastro devia ter resolvido.

    Preciso repetir os adicionais no cardápio em cada produto?

    Não. A lista é da loja, e você vincula o mesmo adicional a quantos itens quiser.

    Fechando

    A estrutura do item é o que decide se o pedido chega fechado ou volta como pergunta. Separe o que soma do que substitui, dê a cada um dos adicionais no cardápio um nome com uma palavra própria, e deixe a categoria cuidar da vitrine.

    É a mesma lógica que faz o pedido do cardápio digital chegar pronto, e a que resolve o pedido por encomenda, onde a quantidade entra no lugar do tamanho. Se quiser ver o conjunto, o guia de atendimento no WhatsApp amarra as partes.

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